Da história para ficção

Segundo Ildefonso Falcones, Arnau Estanyol, seu protagonista, existiu na realidade. O mesmo pode se dizer do judeu que lhe ajudou financeiramente, Hasdai Crescas. A diferença é que enquanto o primeiro foi fruto de uma feliz coincidência, o segundo foi, de fato, escolhido pelo autor. O ofício de cambista e toda vida atribuída a Arnau, entretanto, é invenção do escritor – o verdadeiro Estanyol foi capitão dos almogávares.

Na Catalunha medieval, os estupradores podiam, sim, casar-se com a estuprada, mesmo em caso de violência ou seqüestro, mediante a aplicação do usatge quis virginem, tal como ocorre no casamento de Mar com o senhor Felip de Ponts. O estuprador era obrigado, para não sofrer pena alguma, a dar um dote à mulher para que ela pudesse encontrar marido ou então a casar-se com ela. Caso a mulher fosse casada, aplicavam-se as leis do adultério.

A sentença real contra a mãe de Joan, condenada como adúltera, obrigando-a a viver a pão e água, trancada num quarto até a morte, é inspirada em uma ditada em 1330 pelo rei Alfonso III contra uma mulher chamada Eulália, esposa de Juan Dosca. No chamado primeiro mau ano, em que os barceloneses exigiram o trigo em uma revolta, na Praça de Blat, os incitadores da rebelião foram, sim, submetidos a um juízo sumário e executados na forca.

Quem foi executado por decapitação como estabelecia a lei diante, diante de sua mesa de câmbio, próximo à atual Praça Palácio, foi realmente o cambista F. Castelló, declarado abatut, ou em quebra, no ano de 1360. Sete anos mais tarde, em 1367, três judeus foram executados, depois de serem encerrados na sinagoga sem água nem comida, por ordem do infante D. Juan, lugar-tenente do rei Pedro III, devido à acusação de profanação de uma hóstia.


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